A volta de uma arma poderosa da população

20:49:00 0 Comments A+ a-

Protesto contra aumento da tarifa em SP
*Alan Junior de Queiroz

Na quinta-feira (13/06/2013) a Avenida Paulista, em São Paulo, virou o palco de um dos manifestos mais violentos registrados recentemente no Brasil. Os manifestantes, a maioria jovens na casa dos 20 anos, estavam munidos com cartazes contra a elevação de 20 centavos nas tarifas de transporte público. A Polícia Militar foi acionada para conter vários pequenos manifestos localizados. A situação saiu do controle e se transformou em um furação. Os grupos se uniram e se tornaram numa força tão destrutiva que não pouparam nada. Os motoristas e pedestres que passavam pelo local ficaram assustados e corriam sem rumo dos manifestantes. A polícia chamou a Cavalaria e a situação se agravou mais ainda. Devido ao uso da violência e bombas de efeito moral, pelos policiais, os militantes apelaram para o vandalismo. Sim, vandalismo. Pois depredar patrimônio público é crime. Mas o abuso de poder por parte dos policiais foi uma forma vergonhosa de vermos que eles não estão preparados para agir em situações como essa. Em São Paulo, dois dias antes outro protesto já havia deixado ônibus, estação de metrô, bancos e vitrines de lojas destruídas. Esses protestos são organizados através da internet pelo Movimento Passe Livre (MPL), um grupo que afirma ser independente de partidos políticos. Esse grupo foi inspirado em grupos já existentes em outros países. Aqui no Brasil alguns de seus lideres defendem ideologias anarquistas.

Com ordens do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e com apoio de Fernando Haddad (PT) e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo a polícia tentou impedir a qualquer custo o protesto contra o novo preço de transporte, em vigor desde o último dia 2 de junho e válido para ônibus, metrô e trens da capital. Não vamos marginalizar a PM - que recebe ordens do governo e devem as cumpri-las. Lembre-se que eles são pais de família, ganham muito mal e ainda arriscam suas vidas diariamente para nos proteger. Mas agredir os manifestantes e a imprensa como agrediram é inaceitável.

Num passado, não tão distante, as pessoas saiam nas ruas para protestarem contra decisões que os prejudicassem. Hoje muito de nós somos filhos dessas pessoas. Em 1968, estudantes se uniram contra o regime militar e por melhores condições na educação pública. O início do movimento foi marcado pelo assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto, em 28 de março de 1968, no Rio de Janeiro. O assassino era o comandante da tropa da Policia Militar Aloísio Raposo, que disparou um tiro a queima roupa no peito do estudante. No dia 26 de junho foi realizado um movimento que ficou conhecido como “Passeata dos Cem Mil”. Entre as cem mil pessoas que estiveram presentes estavam trabalhadores de várias categorias, políticos de diferentes partidos, artistas, professores, religiosos e estudantes. Outro protesto que entrou para história foi o movimento “Diretas Já” de 1983. Os jovens reivindicavam a volta das eleições diretas para o cargo de Presidente do país. Os pilares da ditadura começaram a sucumbir – até que desmoronou.

Uma mídia tem tratado os protestos como vandalismo. Muitos acham que 20 centavos é pouco para tanto. Aqui entre nós: querer fazer que a outra parte da população acredite que tudo isso é por apenas 20 centavos é muita ingenuidade. Em São Paulo não estão protestando por "apenas 20 centavos". Estão mostrando que cansaram que ficarem calados. Para quem não tem o mínimo de informação possível, em São Paulo quer andar de ônibus, está caro. Quer andar de carro, sequestrado. Quer andar de bicicleta, é atropelado. Quer andar de skate, é vagabundo. Quer andar a pé, é assaltado - ou estuprado. Tem muita coisa além do aumento das passagens. As coisas não são como querem que pareça.

A questão aqui não é saber quem é contra ou a favor. Não quero saber se você é comunista, estadista, nacionalista, num importa. Acredito que ser contra esses protestos é não ter piedade de quem necessita de transporte coletivo ou utiliza outros serviços públicos.

Essas manifestações, ainda que embrionárias, marcam a volta de uma arma poderosa – e eficaz - da população contra regimes autoritários trazidos de volta pelo PT. Muitas pessoas ainda não sabem de onde vieram e o que querem os jovens que foram às ruas protestar contra o aumento das passagens do transporte público. Se você é uma dessas pessoas, a partir de agora, saiba que é o renascimento de manifestações populares que outrora foram responsáveis por grandes mudanças no país. Posso citar outros exemplos, além dos dois que já citei acima, que podem estar mais frescas na lembrança dos brasileiros como a Lei de Anistia e Fora Collor.

Apesar da alta dose de violência e quebra-quebra, os protestos de rua sempre conseguiram surtir efeitos positivos para democracia. São justamente esses movimentos que a bancada petista teme. O governo Dilma/Lula nunca esteve tão frente a frente com a apatia da população. O governo que sempre trouxe prejuízo aos cofres públicos e já assistiu alguns de seus políticos serem condenados por corromper, evadir divisas, manipular dados agora está “sofrendo” as consequências.

Torcida vaia e constrange Dilma na abertura da Copa das Confederações
As vaias dirigidas a Presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações são os aplausos dos descontentes. Independente da condição financeira das pessoas que vaiaram, eles mostraram que estão insatisfeitos com o governo. Vaiar a presidente de um país em rede mundial de televisão não é falta de educação, é uma forma de mostrar para mundo que nem tudo aqui no Brasil é uma propaganda “perfeita” do PT.  Nem tudo é como os textos bem escritos lidos pela presidenta na televisão. Sim, todo aquele pessoal de costas vaiando era pra você Dilma.

Não podemos deixar de lado os objetivos desses movimentos, e nem confundir seus militantes com bandidos infiltrados para saquearem as lojas no meio da confusão. Manifestações e greves são formas de mostrar ao Brasil – e para mídia internacional – a podridão que este país está mergulhado. Enquanto muitos dão a “cara à tapa", existe aquele tipo de pessoa esperando alguém tomar uma atitude por ela. Que a população não se manifeste apenas contra 20 centavos, mas contra a falta de educação, saúde, infraestrutura e corrupção. Isso é só o começo de uma reação. Hoje em dia pode mais, quem grita mais, por muito mais tempo. Manifestações populares são o primeiro passo para se combater tudo que existe de errado num país.

 *Alan Junior de Queiroz é estudante de Comunicação Social - Jornalismo da Faculdade do Norte Pioneiro(Fanorpi).

Bem Vindo ao blog Alan Junior de Queiroz!

Lista de regras para fazer comentários!
Então, antes que você só dê trabalho pra gente, dá só uma olhada...

1. Xingamentos gratuitos serão deletados sem dó. Tá nervosinho? Vai falar pra sua mãe.
2. Spams, propagandas ou qualquer coisa que faça você linkar seu blog ou algo do tipo por aqui, fará com que seu comentário seja editado. A não ser que o link possa realmente acrescentar algo ao texto e aos comentários.
3. Não fuja do assunto. Quer falar do seu vizinho? Faça um Twitter.
4. Recebeu um comentário(réplica) ácido e não gostou? Foi você quem pediu.
5. Escreva com conteúdo. E, por favor, ESCREVA CORRETAMENTE. Sabe, nós, pelo menos, TENTAMOS escrever da maneira correta para vocês; bem que vocês poderiam fazer o mesmo por nós, né? Então, faça um esforço pra não escrever feito um retardado e elabore seu comentário. Floods, flames ou qualquer outra coisa inútil será deletada.

Acima de tudo, comente apenas se você tiver algo para comentar. Acredite, quando com conteúdo, seu comentário é bem-vindo. Nós lemos todos os comentários, sem exceção. Se você for bonzinho, a gente aprova seu comentário. Após o primeiro comentário aprovado, seus próximos comentários serão aprovados automaticamente.

PS: Nós não nos responsabilizamos pelos comentários publicados aqui. Essa é uma área aberta para os visitantes do site expressarem sua opinião.
Manda ver:

Para contato, críticas, chorume e reclamações que não perguntei alanjuniordequeiroz@hotmail.com.br. Não que a sua opinião tenha importância ou fará diferença para mim.