Terceiro sexo ou sexo desconhecido

23:53:00 1 Comments A+ a-



 *Alan Junior de Queiroz

Era uma tarde ensolarada de 2006, os termômetros deviam estar beirando os 40 graus. Pela primeira vez no ano, um professor conseguiu despertar a curiosidade e interesse de 100% da classe, só ouvia-se o barulho insuportável de dois ventiladores de teto (balançavam e parecia que a qualquer momento iriam cair em cima dos alunos). Como esse professor de Ciências conseguiu tal proeza? 

O que os seus pais te disseram sobre sexo? Nada! Pois é, nenhum daqueles alunos jamais tinha ouvido coisas tão “absurdas” de uma forma tão clara e pedagógica.  No inicio do ano, ao folharem o livro de Biologia, viram ilustrações do sistema genital masculino e feminino.  Envergonhados, por toda a sala via-se as rodinhas de amigos abrindo o tal livro nessas páginas, trocavam olhares e caiam nas gargalhadas. Até que o dia dessa aula chegou.

O professor discorreu sobre o assunto sem ser vulgar ou pornográfico. As reações eram as mais diversas. Ao final das explicações começaram a surgir às primeiras dúvidas. Apesar de desenxabidos os alunos, e alunas, não queriam sair dali com dúvidas. Tirando as brincadeiras, a aula esclareceu questões importantes sobre sexualidade. 

O assunto sexo ainda é tabu na sociedade e principalmente dentro das “famílias modernas”. Quando é falado abertamente assusta os mais reservados. Mas quando deixado de lado e empurrado pra baixo do tapete, a saúde de milhares de pessoas estão à mercê do acaso e do “não sabia”. Mas quem irá esclarecer as dúvidas das gerações futuras? O google? Vamos ser mais flexíveis, pois o sexo está presente em todas as fases de nossas vidas.

Quando parecia que as dúvidas tinham acabado, o professor ouviu a seguinte pergunta de um aluno: “E os ‘viado’ professor?” Antes tinha respondido outra aluna sobre as diferenças dos órgãos genitais do menino e da menina.  A sala ficou muda por instantes. 

O silêncio reinou na sala, apesar dos ventiladores. A pergunta foi feita por um daqueles alunos do “fundão”, foi sacanagem mesmo. Para uma turma que nunca tinha tido acesso e liberdade para fazer qualquer pergunta sobre sexualidade. A pergunta deu a entender que gays eram diferentes de tudo o que estava no livro. Parecia que os gays não possuíam "nem pênis nem vagina". A pergunta foi feita com uma ignorância tão grande que parecia que os gays possuíam um órgão genital diferente, desconhecido. Parecia que os gays se encaixariam numa categoria à parte, como se existissem um terceiro sexo.

Era esperado que o professor desse uma resposta que sanasse essa cruel dúvida não só daquele aluno, mas de toda a classe, a maioria na faixa dos 14 anos. Mas as palavras que saíram da boca daquele professor jamais seriam esquecida por aquela turma, digo isso porque eu era um dos alunos. O professor sentou-se a mesa e soltou um: "Tudo sem-vergonhice, merecem levar uma surra dai eles tomam vergonha e endireitam." Ele nem levou em conta que poderia ter alunos gays na sala. Ninguém rebateu aquele ignorante, ninguém. Quem iria rebater um homem que estudou sobre a anatomia humana e sabe melhor que ninguém que a homossexualidade não é mera “sem-vergonhice”.  Ao final de sua infeliz “explicação”, levantou-se da mesa, soltou um sorriso sarcástico e finalizou: “Podem ir para o intervalo, por hoje é só.”

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Por onde anda o tal professor? Atualmente ele é o diretor da mesma escola onde aconteceu esse episódio. Gostaria muito de saber se esse profissional da educação continua com esse mesmo raciocínio. Talvéz nunca saberei, mas acredito que pouca coisa tenha mudado.

*Alan Junior de Queiroz é estudante de Comunicação Social - Jornalismo da Faculdade do Norte Pioneiro(Fanorpi).

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Alexandra
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30 de maio de 2014 10:25 delete

Uma vez , quando eu estava no ensino médio, o professor de religiao começou a aula croticando a "depravaçao sexual" da atualidade e começou a nos incentivar a não aceitar a homossexualidade porque era errado. Usou aquele velho discurso do "eu não quero que meus filhos sejam obrigados a ver isso", falou que era uma pouca vergonha esse pessoal se pegando na rua, falou do nojo que sentiu quando viu duas garotas, por volta dos 14 anos de idade, se beijando em público, e também criticou o kit gay distribuído em algumas escolas. Queria saber até quando essa sociedade vai se importar mais com quem as pessoas transam do que com seu caráter.

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