CRÍTICA - Alunos evangélicos que recusaram apresentar projeto sobre cultura africana

17:19:00 2 Comments A+ a-

Faixa divulgando Feira Cultural em escola no Amazonas
 (*)Alan Junior de Queiroz

O fim do mundo não vai acontecer ainda esse ano, assim como o fim dos preconceitos que ainda existem mundo afora. Na última sexta-feira (09/11/2012), em uma escola no Amazonas, Escola Estadual Senador João Bosco Ramos de Lima, 14 alunos que se dizem evangélicos conseguiram destaque, não por algum projeto inovador ou notas altas, mas por recusarem apresentar um trabalho sobre a Cultura-Afro.

A coisa ganha proporções ainda maiores quando eles tentam justificar o fato."Conhecendo os paradigmas das representações dos negros e índios na literatura brasileira, sensibilizamos para o respeito à diversidade. A Bíblia Sagrada nos ensina que não devemos adorar outros deuses e quando realizamos um trabalho desses estamos compactuando com a idéia de que outros deuses existem e isso fere as nossas crenças no Deus único" ( Ivo Rodrigo, de 16 anos). A justificativa dada por esse aluno tem como base crimes como a intolerância cultural, racial e religiosa. E merece punição.

O trabalho era para uma feira cultural que acontece, nesta escola, desde 2006. Segundo informa a direção, o objetivo é valorizar as culturas presentes na constituição do Brasil, através da leitura de clássicos como 'Ubirajara', 'Iracema', 'O mulato', 'Tenda dos Milagres', 'O Guarany', 'Macunaíma', que abordam temas como homossexualidade, umbanda e candomblé. Esse povo colaborou para criação de uma identidade para o país, trouxeram o vocabulário, costumes, apetrechos, crenças, musicas, comidas. Uma influência que ficou alojada para sempre.

O que vem chamando minha atenção é o fato dos alunos acharem que podem decidir o que eles querem ou não estudar, ou, o que é bom ou ruim para o desenvolvimento deles como cidadãos. O assunto se agrava quando os pais entram na história e apoiam as atitudes dos filhos. "Fomos humilhados em sala de aula por colegas e pelo nosso professor de história" (Daniele Montenegro, de 17 anos). Humilhados? Chega ser irônico o fato dos alunos quererem aparecerem como "as vítimas".

No Brasil acontece um fenômeno bizarro. As salas de aula parecem  pontos de encontro, grupos separados por afinidade conversam, bagunçam, não prestam atenção na explicação, além de atrapalhar quem realmente quer aprender alguma coisa. Se o professor toma uma atitude e puni os baderneiros, se tornam imediatamente os carrascos. Nessa hora os pais vão até a escola e falam de processo, diretos, respeito e baixa qualidade do ensino. Esses mesmos pais não aceitam ouvir que o filho é um indisciplinado ou não recebeu educação em casa. Sentados perante direção, professores e os pais, esses alunos que tumultuam as aulas fazem cara de coitados, vitimas e injustiçados. Assinam uma advertência e fica por isso mesmo.

Independente dos conceitos, cultura, religião ou opção sexual, a escola é um lugar de obtenção de conhecimento em geral e deve-se respeitar todas as vertentes culturais. Se negar a fazer algo por causa de "princípios religiosos" é uma "prova" de que o Brasil continua com uma população ignorante ao lado de certos temas. A justiça dá moleza para certos casos, como no caso daquela religião que fiéis/alunos faltam aulas noturnas nas sextas-feira devido a uma proibição religiosa.

Alunos que se privarem ou recusarem a absorverem conhecimentos de outras culturas devem ser punidos com a nota ZERO. Dentro da igreja são cordeiro de Deus que "amam e respeitam o próximo", fora dali se acham superiores. Deus não está só dentro da igreja. E se esses "pré-conceituosos" não forem punidos pelas leis dos homem, que estejam preparados para serem punidos pelas leis divinas.

(Matéria que motivou a construção da crítica acima: http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/11/evangelicos-se-recusam-apresentar-projeto-sobre-cultura-africana-no-am.html)

(*)Alan Junior de Queiroz é estudante de Comunicação Social - Jornalismo da Faculdade do Norte Pioneiro(Fanorpi).

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Walmor
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11 de novembro de 2012 17:34 delete

Bela crítica meu companheiro! Acredito que cabe a nós, pessoas com o mínimo de criticidade questionar atitudes tão absurdas como essa apresentada acima. Não se pode falar em liberdade religiosa de forma unilateral, onde grupos cristãos tenham todos os direitos, sejam os grupos católicos ou evangélicos, e os demais grupos sejam oprimidos. É muito engraçado porque o direito à liberdade religiosa que pessoas caricatas como Silas Malafaia deseja é o direito, inclusive, de poder usar da liberdade religiosa para discriminar, criticar e humilhar sujeitos e grupos historicamente marginalizados. É o cúmulo, a educação existe para uma formação geral e íntegra do ser humano. Não posso me limitar em aprender determinado conteúdo porque faço parte de uma denominação religiosa que não concorda com tais questões. Os evangélicos precisam ter urgentemente uma lição de cidadania!

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Anônimo
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13 de novembro de 2012 11:34 delete

Observamos constantemente a leitura e a interpretação bíblicas sendo utilizadas de forma criminosa para validar atos de preconceito e discriminação religiosa, cultural e étnica - resultado de uma visão obtusa frente a um texto antigo que nada mais é do que um recorte de momentos históricos vivenciados por um grupo oprimido que esperava a vinda de seu Libertador "O Messias", para vindicar os seus direitos à liberdade, que por sinal, até hoje não foi devidamente conquistada.Ah! E eu acredito em Deus!

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