Desejo algo que nunca será meu

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Ilustração
*Alan Junior de Queiroz


Período: 1940 a 1944
Com a sirene ligada, uma ambulãncia pede passagem no meio de um trânsito congestionado para atender um acidente. Um homem foi atropleado por um carro e o estado é grave, uma médica está no local e pede urgência.

Numa noite gelada e com muita neblida estava eu na entrada da Universidade Petrovac para meu primeiro dia de aula. Envergonhado, não conseguia olhar no rosto de ninguém, muito menos comprimentar, Fui à procura de minha sala.

O primeiro mês foi o pior. Fiquei dias sozinho no intervalo das aulas, apenas observando as pessoas, os grupos de amigos, as rodas de fofocas, os casais escondidos atrás dos arbustus. Certo dia, fumando meu cigarro no portão na instituição de arquitetura eclética, reparei em um Lincoln de cor bordô virando a esquina. O automóvel tão polido, brilhava e refletia tudo em sua volta. Logo pensei: "Mais um filhinho de papai!".

"Meus Deus!" exclamei, pois sairá de dentro um anjo. Cabelos loiros cacheados, olhos azuis e um sorriso perfeito.

Essa desconhecida moça passou por mim e senti uma sensação estranhamente boa. Procurei saber tudo sobre ela: seu nome, sua idade, de onde vinha, o que estava cursando, tudo. Um ano e meio de pesquisa e ela se quer sabia que eu existia, um verdadeiro caso de amor platônico. Nesse período colecionei quase mil fotos da moça, momentos que ela viveu e tiveras eu como seu fiél espectador, mesmo sem saber.
Me sentia mal, pois monitorava uma pessoa sem o consentimento dela, sua privacidade estava sendo violada; eu como um estudante de jornalismo tirava proveito das técnicas da minha futura profissão para fins extremamente pessoais. Mas nesse caso não é um crime, só se amor for crime.

Quando eu havistava a moça que cursava medicina meu coração disparava. Certa noite, sentado com amigos, eu a observava, quando me olhou e deu um sorriso. Da parte dela foi apenas simpátia, já da minha foi o que precisava para acender o estopim. Mandei-lhe uma carta de amor, nela contia tudo o que eu sentia e o que eu sabia sobre ela, e pedi uma oportunidade para nos conhecer-mos. Ele sequer respondeu um "NÃO".

Nessa noite a Universidade Petrovac oferecerá um baile de gala aos alunos no luxuoso "Medieval Center", uma oportunidade única para eu e tira-lá para dançar e conversarmos melhor.

NO BAILE - Fiquei á espera da "minha" menina durante 50 minutos. Quando lá no alto da escadaria ela apareceu deslumbrante. Vestida de vermelho, estava inexplicável. Todos à olhavam; estava descendo como uma deusa, sorridente, acenando para todos, sua simpátia me derretia. Fiquei embasbacado. Parece que tudo o que tinha ensaiado para dizer tivesse sumido da minha cabeça, depois do que vi.
Pesadelos se tornam realidade sim, principalmente, quando somos lentos em nossas atitudes. Após tanto tempo de espera fui surpreendido. O namorado a esperava no pé da escada. Um nó na garganta, uma gastrite, olhos lacrimejando, um mal estar tomou conta de mim, uma sensação horrivel.


Naquela noite fiquei sem rumo, não queria mais nada, nem ninguém, estava inconsolável. No dia seguinte vi as fotos do baile, lá estava ela ao lado dele, ambos felizes. Chorei. A vida continua, tentarei esquece-lá.

MESES DEPOIS - Estou terminando meu curso. Vai fazer um ano que não tenho notícias dela, depois que terminou o curso, ano passado, nunca mais há vi, é , não consegui esquecer aquela garota de olhos azuis e sorriso meigo.

Hoje faço estágio num grande jornal e ela? Será que está solteira? casou? é uma boa médica?
Estou indo cobrir uma coletiva de imprensa com início às 21 horas, devido ao trânsito congestionado, resolvi ir a pé até o local. A estação de pedágio era a causa do trânsito lento, após a estação, os carros saiam disparados. Cheguei num ponto no qual deveria atravessar a rodovia para chegar ao meu destino. Imprudente. Esperei a hora certa (se é que existe hora certa), então corri. Não deu tempo, um carro me acertou.

Agora estou estendido no chão, todo ensanguentado. Vejo luzes, ouço buzinas, gritos, não consigo me mexer, sinto dores fortes por todo corpo. Quase apagando, quando vejo quem dirigia o carro. Era "ela", estava nervosa e saiu com um kit primeiros socorros e veio em minha direção, certamente não me reconheceu, mas pediu para eu ficar calmo e que tudo iria dar certo, e chorando pedia perdão. Naquele momento em meio da situação que encontrava-me, quase desfalecido, senti por um segundo uma alegria de revê-la. Correu lágrimas dos meus olhos. Ela estava fazendo tudo o que podia para me manter acordado, em vão.

Os curiosos que assistiam a cena, viram o momento em que "ela", chorando, debruçou-se sobre mim e olhou no relógio. Marcava 20h23min, hora exata da minha morte.

*Alan Junior de Queiroz é estudante de Comunicação Social - Jornalismo da Faculdade do Norte Pioneiro(Fanorpi).
IMPORTANTE - História Ficcional.Qualquer semelhança com  a realidade é pura coincidência.

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